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20.1.11

Father Death Blues



Hey Father Death, I'm flying home
Hey poor man, you're all alone
Hey old daddy, I know where I'm going

Father Death, Don't cry any more
Mama's there, underneath the floor
Brother Death, please mind the store

Old Aunty Death I hear your groans
Old Uncle Death I see your bones 
O Sister Death how sweet your moans

O Children Deaths go breathe your breaths
Sobbing breasts'll ease your Deaths
Pain is gone, tears take the rest

Genius Death your art is done
Lover Death your body's gone
Father Death I'm coming home

Guru Death your words are true
Teacher Death I do thank you
For inspiring me to sing this Blues

Buddha Death, I wake with you
Dharma Death, your mind is new
Sangha Death, we'll work it through

Suffering is what was born
Ignorance made me forlorn
Tearful truths I cannot scorn

Father Breath once more farewell
Birth you gave was no thing ill
My heart is still, as time will tell. 

20.2.09

Nova Iorque, o Universo e Nós

Acabo de chegar em casa, tenho por volta de uns 75 ml de vinho tinto na garrafa. Agora foi pra taça, e eu literalmente molhando o bico. Um amigo deixou algumas garrafas de vinho barato aqui, para depois buscar. Eu guardei por uns 3 dias, até quando ele me disse que, em situações de emergência, eu me sentisse à vontade para abrir uma garrafa. Não só não durou muito, como nesse momento eu ainda precisava de mais. Mais de 75 ml, com certeza.

Voltei de um passeio mágico, ao mundo de Antony & the Johnsons, o grupo de Antony Hegarty. Ele leva a bandeira da androgenia, do sofrimento profundo e da alegria, também. Entre um buraco-negro e outro, pergunta se sua lanchonete preferida ainda está na rua 43.

Antony é controverso, não conheci ninguém que gostasse dele como eu. Mas hoje eu estava em casa. Não sabia o que esperar do público; apenas sabia que seus shows estavam esgotando ingressos pelo mundo, e me perguntava quem eram essas pessoas esquisitas que gostavam da sua voz esquisita e suas músicas esquisitas, também. Esse foi talvez o público mais diverso entre os shows que tenho assistido aqui. Me impressionou o número de pessoas mais velhas, alguns com seus filhos. Gente que eu não esperava gostar do esquisito como eu. Gente que é gente até o último fio de cabelo, com quem eu sentei, ouvi, e chorei. Choramos, todos.

Eu sempre o escutei com uma pontinha de culpa. Eu deveria é estar ouvindo Ivete e dançando. Mas cansei de passar desodorante em sovaco suado fedido. Ao ouvir hoje pela primeira vez as músicas de seu disco novo, eu senti. A música dele é como estar numa floresta encantada. O mundo criado por ele, por aqueles instantes enquanto a música é tocada, nos mostra fadas e monstros.

Como o nosso. O meu, pelo menos, é assim. Minha vida é linda e aterrorizante, ao mesmo tempo. E é na essência do terror, do medo, e da vida que surge a alegria singela de estar vivo.

E, pra quem está contando quantas vezes eu uso as mesmas citações em anos de blog, aí vai uma velha conhecida nossa:

"Provo que a mais alta expressão da dor
consiste essencialmente na alegria"

Augusto dos Anjos